POLITICA

CÂMARA VAI CEDER E DEIXA DE SER CAÇA À MULTA PARA SER CAÇA AO VOTO.

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Os trabalhadores da Polícia Municipal de Gaia vão realizar um dia de

greve, a 23 de junho, exigindo negociação da carreira e alteração dos objetivos do sistema de avaliação, que representam "uma caça à multa".

"Os trabalhadores que exercem funções na Polícia Municipal do Município de Vila Nova de Gaia vão exercer o direito à greve entre as 00.00 horas e as 24 horas do dia 23 de junho de 2017 com o objetivo de exigir a negociação da carreira da polícia municipal; a alteração dos objetivos do SIADAP; a falta de segurança e de condições operacionais nas instalações da polícia municipal; falta de equipamentos e de formação específica e pela progressão na carreira", indica, em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN) que, esta sexta-feira, apresentou o pré-aviso de greve.

Contactado pela Lusa, o coordenador do STFPSN, Orlando Gonçalves, explicou que em causa estão objetivos "obscenos" definidos no Sistema Integrado de gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP), aprovados pela Câmara Municipal de Gaia e que representam "uma verdadeira caça à multa", situação que "já se arrasta desde 2008".

Para cumprirem os objetivos, disse, os agentes "têm que rebocar pelo menos 3500 carros por ano" e "passar duas multas por dia em média, das quais 30% de forma presencial".

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Tais objetivos estão a vigorar desde a última aprovação, relativa ao biénio 2015/2016, uma vez que "os de 2017 ainda não foram definidos", mas a situação, explicou.

Os objetivos, assinalou, são "da responsabilidade de todos, desde o comandante [da Polícia Municipal, passando pelo vereador [responsável pelo pelouro] e pelo presidente da câmara" que "é responsável pela homologação da avaliação de desempenho" dos profissionais.

O sindicalista apontou ainda a "falta de condições operacionais" nas novas instalações da polícia onde, relatou, "o armeiro, onde guardam as armas, é no meio de um corredor, numa sala de passagem" e ainda "não tem plano de emergência em caso de catástrofe".

Como motivo para a greve, Orçando Gonçalves indicou ainda a necessidade de ser revista a progressão de carreiras específicas, como é o caso da polícia municipal, uma força de segurança que existe em 34 câmaras do país, logo "são 34 realidades diferentes" o que torna "maior a necessidade de um diploma que defina quais as competências dos trabalhadores".

"É competência do Governo, mas as câmaras também têm responsabilidade. Se pressionassem o MAI [Ministério da Administração Interna], as coisas seriam mais fáceis", assinalou, reiterando ser "urgente que o Governo faça alguma coisa no sentido de rever a carreira dos trabalhadores".

Precisamente para pressionar o Governo, os polícias municipais de Gaia escolheram o dia 23 para a greve, véspera de São João e data em que está previsto que o primeiro-ministro, António Costa, se desloque àquela cidade para assistir ao tradicional fogo-de-artifício sobre o rio Douro.

Para o mesmo dia está também prevista uma concentração de polícias frente à Câmara Municipal de Gaia, entidade com quem o sindicato diz ter reunido no passado dia 16 de novembro, colocado "estas questões", e até hoje "não deu resposta nenhuma e nada mudou".

A Lusa tentou ouvir a Câmara Municipal de Gaia, que se escusou a prestar qualquer comentário.